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Fórum “Pensar Faro” desafiou à criação do museu do cartaz como extensão do Museu Municipal de Faro

Administração 16/03/2018 Fórum “Pensar Faro” desafiou à criação do museu do cartaz como extensão do Museu Municipal de Faro

O Fórum “Pensar Faro” deixou o desafio à criação de um museu do cartaz como extensão do Museu Municipal de Faro, que a ser criado seria o primeiro a nível nacional.

O repto foi deixado pela curadora do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado a propósito da coleção de cerca de 300 cartazes de Joaquim António Viegas (1874-1946), doada ao museu farense pelo filho do cenógrafo natural de Faro, que conseguiu obtê-los quando trabalhou em várias salas de espetáculos.

Trata-se de uma coleção de cartazes de grandes dimensões (2,80m x 3,20m), produzidos entre finais do século XIX e inícios do século XX por empresas como as cinematográficas Pathé Frères ou Gaumont, referente às áreas não só do cinema, mas também do circo e variedades e da publicidade.

Na conferência de encerramento do Fórum “Pensar Faro”, que decorreu na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve nos dias 9 e 10 deste mês, Adelaide Ginga lembrou que “existem museus do cartaz em todo o mundo”, incluindo “na maior parte dos países da Europa”, mas “Portugal não tem um único museu do cartaz”. “É interessante perceber isso. Seria o único museu do cartaz a nível nacional porque há muitas coleções de cartazes, mas estão divididas e integradas em novos museus”, realçou.

Neste sentido, a historiadora de arte considerou que Faro e o Algarve têm a possibilidade de se destacar como “um centro único que tem uma coleção desta natureza” que disse ser “de importância internacional”. “Atrevo-me a dizer que é a coleção mais importante a nível internacional porque as restantes coleções são importantes a nível internacional, mas são de origem nacional. Esta coleção tem uma dimensão internacional na sua origem que eu penso que não existe a par na região do Algarve”, disse sobre a coleção que tem exemplares de origem francesa, alemã, italiana, espanhola, norte americana, escandinava, inglesa, entre outras nacionalidades.

Na sua comunicação sobre o tema “Joaquim António Viegas e a coleção de cartazes de cinema do Museu Municipal de Faro”, Adelaide Ginga referiu-se à proposta de criação do museu em causa como uma “oportunidade de conquistar um público nacional e internacional” e de o Algarve “ter um manancial educativo fortíssimo sobre o início do século XX, sobre o cinema”. “Temos não sei quantos franceses a virem morar para Portugal. No momento em que eles perceberem que nós temos em Faro uma coleção de cartazes única francesa, não há francês que não queira vir aqui ver. O mesmo se passa com italianos, ingleses, alemãs, etc”, defendeu, considerando que a região ficaria como “um ponto cultural de excelência para os estrangeiros”.

Adelaide Ginga disse ainda que a coleção “tem uma extensão e uma riqueza tal, que permite repor a exposição permanente em vários núcleos”. “Se criarmos um núcleo de 50, 60 cartazes expostos podemos repor a coleção com novidades para vários anos”, concretizou, considerando a candidatura de Faro a Capital Europeia da Cultura como “momento estratégico” para apresentar a coleção.

A curadora do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado lamentou que o já elaborado catálogo da coleção não tenha sido ainda produzido devido a “mudanças políticas” no governo, não obstante o financiamento para a sua produção ter chegado a ser garantido. “É preciso o poder político ter aqui uma visão de estratégia. São precisas pessoas, a nível político, cultural e turístico com visão e estratégia para não perder esta oportunidade de criar um polo de atração no Algarve que será, com certeza, um dos polos de atração em termos culturais mais importantes da região e um polo de atração cultural em termos nacionais”, afirmou.

O presidente da União de Freguesias de Faro, que promoveu aquele fórum, compromete-se no encerramento do mesmo com a produção do catálogo. “Vamos desenvolver esforços para dentro em breve termos esse catálogo finalmente na rua ao acesso de toda a gente. É um património que também está esquecido e que convém valorizar e é mais uma ferramenta para enriquecer a nossa cultura, o nosso património e a nossa indústria turística”, afirmou Bruno Lage.

 

FONTE

Folha do Domingo



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